Introdução
Não consigo tirar os
olhos do relógio.
Ao meu lado, um senhor
transpira tensão, ofegante, ansioso. Salas de recepção são sempre nervosas, as
pessoas estão ali esperando uma proposta aprovada, um emprego, uma oportunidade
de colocar a cara à tapa. Eu só aguardo. Não há razão pra nervosismo, estou
fazendo aquilo que sei.
Abro
um caderno e começo a fazer um check list das pendências. Tenho que estar em sintonia com o cliente.
Quase
fico tenso com tantos trabalhos que infelizmente não andaram, mas eu não vim de mãos vazias. Se você trabalha contra o tempo, tem que demonstrar a quem
paga seus rendimentos o que fez com o tempo disponível em detalhes e, portanto,
estou com três demandas concluídas e alterações em três ou quatro
trabalhos que, a princípio, já estavam prontos, mas ficaram indo e vindo com
alterações o mês inteiro quase que todos os dias. Tenho muitas horas de empenho
comprovadas. Apesar dos obstáculos ao
longo do percurso, o bombeiro está cumprindo bem o seu dever.
As coisas são tão corridas que há anos que não levo um único trabalho para mostrar a um prospect. Não levo portólio. Pois é. Quando me chamam, sabem quem eu sou, ou pelo menos, alguma coisa do que fiz. E é aquilo que eles querem. E querem rápido, quase sempre.
As coisas são tão corridas que há anos que não levo um único trabalho para mostrar a um prospect. Não levo portólio. Pois é. Quando me chamam, sabem quem eu sou, ou pelo menos, alguma coisa do que fiz. E é aquilo que eles querem. E querem rápido, quase sempre.
É claro que todos gostam
de elaborar um projeto com tranquilidade, discutir ideias e seguir direitinho tudo que ensinam na faculdade (bons tempos!). Mas no mundo
real, nem sempre é assim. No mundo real, quem de nós, que atua no mercado, não
teve que viabilizar algo do dia para a noite e, detalhe, sem poupar nenhuma etapa
do processo criativo e operacional?
Neste momento, não
importam os motivos pelos quais, às vezes, um job tem que ser realizado
de maneira instantânea. O que importa é que você tem duas horas para resolver.
As vezes, 15 minutos.
Simultaneamente, terá que responder todos os
e-mails que chegam, fazer as alterações dos trabalhos que você já tem em mãos e dar atenção aos colegas de equipe. E as alterações que não param de chegar, o
telefone que não descansa, o software que trava, a energia elétrica que
cai...
Algumas vezes, alguém
poderá lhe pedir uma solução imediata por capricho ou por incompetência própria
de não ter conseguido se planejar a tempo. Outras vezes, é uma necessidade
imediata e o cliente não tem culpa alguma. Temos que aprender a lidar com isso
e culpar menos os clientes.
Algo
está pegando fogo, existe um incêndio e alguém tem que apagá-lo.
A primeira dica que deixo
é olhar para o relógio como quem olha para um velho amigo.
Considero este um bom
conselho, porque a partir de agora, os minutos começaram a correr...
Fim da Parte 1

Cara, me enxerguei totalmente nesse post. Tudo pra ontem, aliás pra antes de ontem!!! Difícil é não perder a calma e o fio da meada......quando tem novo post? Fernando Luíz
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